segunda-feira, 14 de setembro de 2015

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Afogado

Ligo o som
Pego o vinil de Baker
Encosto a agulha em seu disco
E sinto sua dor de perder um amor

É como se ele me pedisse
Desesperado
Mesmo sem me conhecer
Querendo dizer

Não foge do que tu desejas
Não seja quem tu não queres
Não roube o beijo de quem você não quer
Se morre amanhã, quem vive por ti, realmente vive?

Com tanto mar por ai
Porque quer se afogar em um que tu não queres?
Enquanto o outro mar se afoga da ausência do seu ar
Cheio de seres, mas vazio de ti

Me desafogo 
Seco no sol
Só para ir atrás do teu mar
Não há morte melhor do que no seu mar

Te procuro e todo meu ar falta
Como se o meu coração precisasse de ti para bombear
Eu posso viver sem ti
Mas qual é a graça de viver sem ser felicidade?

Quando longe, finjo que está tudo bem
Mas quando perto, não há mais ninguém
Ouço o som da rua e ouço até tua voz
Mas fico perdido em minha mente, pensando a tamanha beleza que você possui






Frases aleatórias do ser.


Sou ego

Sou centro

Sou tudo que quero ser

Mas sou mais defeito do que quero

Queria ser menos ego

Ser menos medo

Ser menos insegurança

E mais fechado

Queria ter uma chave

Que trancasse tudo que sinto em uma caixa de madeira

Tudo que sinto

Que não posso mostrar

Ficaria naqueles vidros em que fora anunciaria

"Quebre em caso de desespero"

E no fim eu iria querer me desesperar

Só parar quebrar aquele pote com frases que só querem dizer teu nome

Se tivesse boca estaria gritando teu nome

Se tivesse alma

Estaria feliz por ter boca

Para gritar teu nome e beijar você

Ou pelo menos sonhar

Porque quem tem alma pode ser um pouco feliz

Apenas sonhando que se tem a pessoa que deseja

Felicidade incompleta

Mas felicidade

Se eu fosse menos tudo isso

Segurando a minha caixa de madeira

Você iria me querer?

Ou nem se quer iria lembrar de mim?

Sem ego, sem medo, sem sentimento

Você passaria voando, sem olhar em mim

E ver algo bom

Será que isso seria bom?

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Me desculpa.

Hoje estou aqui sentando, tentando saber se eu tenho certeza disto, mas adivinha? Não tenho, nunca tive, não ia ser agora que eu iria ter a famosa “certeza”. E é por isso que eu tenho de ir, porque infelizmente, se eu fosse o pássaro certo para você voar, lado a lado, eu e você já estaríamos lá em cima, perto do sol e não aqui, pairando quase que se arrastando pelo chão, apenas de asas abertas, fingindo que voamos.

É clichê, mas a culpa não é sua, essa é você, sempre será e por favor, não mude! Eu realmente gostei de você, acredito que até ainda goste, afinal, você sempre foi uma pessoa encantadora. Mas creio que eu não aprendia a voar com você, eu sempre te admirei, você voava tão bela, sempre com o bico para cima, como quem tinha certeza de onde estava. Quando humana então, fala do que for, parece genial, podemos falar da teoria do jogo do copo que ainda sim, sairá da sua boca as mais lindas palavras.

Eu sei, vou te deixar com a sensação de mais um que lhe abandona e isso me doí muito! Talvez seja a coisa que mais vem apertando o meu coração. Volta e meia eu até penso em desistir de tudo, pois eu lembro daqueles dias em que o sol batia forte no nosso rosto e fechávamos os olhos sorrindo um para o outro, sabendo que mesmo com os olhinhos fechados, o outro estava na sorrindo de volta.

Mas sem perceber, eu já venho te abandonando muito, não consigo mais ser aquele cara que te dava a mão e você tinha aquela certeza de que o mundo tinha acabado de começar. Talvez você tenha se enganado muito, eu não sou o cara da sua vida, estou longe disso, esse cara ainda está por ai, procurando desesperadamente você e eu não posso te segurar, se não, esse cara nunca vai te achar. Eu gosto muito de você, preciso mais do que tudo ir embora e ver que alguém vai te jogar para cima, que vai te mostrar o céu e o sol vai ficar tão próximo, que você vai perceber: é esse.

Alias, você percebeu né? Mais um ponto para você.

Sim, outro pássaro.

A pergunta é: como você pode perceber? Eu sempre fui tão discreto, nunca demonstrei muitos olhares, eu sempre evitava olhar. Tentei sim olhar para outras e no começo funcionou. Mas no último ano tem sido muito difícil, eu estou sentindo o calor mais do que nunca, aquele que eu sempre evite, o calor que muitas vezes preferi passar para outros do que correr o risco de destruir, afinal, todo ser humano precisa do seu próprio calor, parece que eu achei o meu, espero que eu consiga um pote bem bonito para não deixar ele fugir.

Me perdoa

Me desculpa

Eu sei que no começo você vai me odiar, já senti isto e juro que passa! No fim, eu sei que você vai me perdoar, vai dar aquele sorriso de canto e sentir uma nostalgia gostosa, lembrando de como foram bons aqueles tempos e como no fundo, bem no fundo, sabíamos que não era para durar, era apenas para aproveitar enquanto existia, fomos sortudos. Muito obrigado por todos os quase voos, por todos sorrisos, por todos casacos para fingirmos que era o calor, obrigado.



terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sobre o calor.

Grande parte das pessoas aqui em minha volta, sente uma raiva contida do verão, sempre reclamando de como é exaustivo ficar embaixo daquele sol, suando que nem um camelo perto da morte, chegando a conclusão de que não dá para ficar atraente nem para si mesmo nesta época. Eu concordo ou concordava, até o momento em que notei que o calor é que nem o amor.

Posso começar dando uma pequena explicação chata e científica: “O frio simplesmente não existe, o calor de fato existe, tanto que conseguimos visualizá-lo com aparelhos específicos que detectam radiação infravermelha. O Calor é definido na física como uma energia em movimento. Mais especificamente, uma forma de energia que sempre está se movimentando dos corpos de maior temperatura para os corpos de menor temperatura. Sentimos "frio" quando uma grande quantidade de calor deixa o nosso corpo rapidamente. Sentimos "calor" quando muito calor fica retido no nosso corpo. O FRIO é simplesmente um estímulo elétrico enviado pelo nosso cérebro para nos avisar que estamos perdendo muito calor. “

Se deu para entender, aquela frase de que o “frio é psicológico” é real, mas o que isso tem de parecido com o calor? Simples, o amor é o calor, alguns, desde pequenos entendem o real significado do calor, que precisamos aproveitar cada suor que cai de nosso corpo, que temos de se jogar com a roupa que for e que se dane, afinal, todos sentem o calor, ou deveriam.

Porém, grande maioria espera pelo frio ou graças aos ares condicionados, se escondem em lugares fechados para assim, fingir que não existe calor, que com o frio podemos esconder nossas imperfeições, que não suamos, que não sofremos, que não nada! E no mundo fresco passageiro, que criamos ou usufruímos, sumirá (ou assim parecerá) qualquer vestígio dessas temperaturas altas que mexem com o nosso corpo, preferindo nos esconder em algo como que ficará que tão frio que... iremos nos cobrir para tentarmos montar um calor controlável, dá para entender essa conspiração com si próprio que o ser humano faz?

No fim, não podemos fugir do calor, ele estará lá, não importando o quanto você fuja e mesmo que você morra, o único que irá perder o vento quente que pode bater no seu rosto. Temos medo, isso é inevitável, o medo de tratarmos o calor temos no corpo como algo normal e percebemos que os outros não querem assumir seu calor, se escondendo no quarto embaixo de ar. Ou até o medo de perceber que por mais que o frio seja algo confortável, e nós sabemos que ele é, o calor dá aquela sensação que estamos vivos, seja a fé que você tenha, você só consegue crer nela quando sente seu calor quente e feliz, é o calor que faz seu coração bater, se entregue.



Bibliografia: http://fisicaricardo.blogspot.com.br/2009/03/o-frio-nao-existe.html